Igual a mim ou Igual a Eu? Qual o Certo
Essa é uma daquelas dúvidas de português que muita gente já teve em uma conversa ou mesmo ao escrever uma redação. A frase “igual a mim” soa natural, mas sempre aparece alguém perguntando se não seria “igual a eu”. O detalhe é que essa diferença está ligada às regras de uso dos pronomes pessoais e, principalmente, à função que eles exercem dentro da frase.

Neste guia vamos explicar de forma clara e prática qual das duas formas está correta, quando usar cada uma e ainda trazer exemplos que facilitam o entendimento no dia a dia.
O uso do pronome na comparação
Quando a comparação pede objeto
Na língua portuguesa, depois da palavra igual, espera-se um complemento no caso oblíquo, ou seja, “mim”. Isso porque a palavra não exerce a função de sujeito, mas sim de objeto dentro da oração.
Exemplo:
- “Ele corre igual a mim.”
Aqui, “mim” está correto porque não é quem pratica a ação de correr, mas sim a forma de comparação.
Quando há verbo depois
Se o pronome vier acompanhado de verbo, a construção muda. Nesse caso, o pronome precisa ser sujeito, e aí sim entra o eu.
Exemplo:
- “Ele corre igual a eu corro.”
Aqui o “eu” está correto porque exerce a função de sujeito do verbo “corro”.
Igual a mim: a forma mais comum
Na maioria das situações, o que se usa é “igual a mim”, porque geralmente a frase termina ali, sem continuidade de verbo. É a forma que soa mais natural na fala e também a mais aceita em contextos formais.
Exemplos:
- “Ninguém trabalha igual a mim.”
- “Você fala igual a mim.”
- “Ele dança igual a mim.”
Em todas essas frases, a comparação termina diretamente no pronome, sem necessidade de verbo depois.
Igual a eu: quando pode aparecer
Apesar de parecer estranho, há momentos em que “igual a eu” está correto. Isso acontece quando o pronome é sujeito de um verbo que vem logo depois.
Exemplos:
- “Ele fala igual a eu falo.”
- “Ela pensa igual a eu penso.”
- “Você estuda igual a eu estudo.”
Note que nesses casos, se retirarmos o verbo, a frase fica esquisita. Por isso o mais comum é simplificar e usar “igual a mim”.
Por que tanta confusão?
A confusão acontece porque muita gente aprendeu que “mim” nunca faz ação, o que é verdade. Mas ao ouvir frases sem o verbo no final, surge a dúvida sobre qual pronome usar. Como a maioria das comparações é curta, acabou se fixando o uso de “mim” como padrão.
Além disso, no português falado, as pessoas tendem a evitar frases longas como “igual a eu faço” e preferem dizer apenas “igual a mim”. Por isso “igual a eu” soa mais forçado, embora gramaticalmente não seja incorreto quando acompanhado de verbo.
Comparando na prática
Para fixar melhor, veja como funciona a diferença:
- “Ele canta igual a mim.” ✅
- “Ele canta igual a eu.” ❌ (errado porque não há verbo depois)
- “Ele canta igual a eu canto.” ✅
- “Ele joga igual a mim.” ✅
- “Ele joga igual a eu jogo.” ✅
Qual forma usar em textos formais
Se a ideia for escrever em uma redação, trabalho acadêmico ou texto mais formal, a recomendação é priorizar igual a mim. Isso porque é a forma consagrada, soa mais natural e evita questionamentos. O “igual a eu” só deve ser usado quando realmente houver verbo após a construção.
Outras comparações parecidas
Essa dúvida não aparece só com “igual”. O mesmo ocorre com “como” e “que nem”.
- “Ele é como eu.” (correto, pois o pronome funciona como sujeito)
- “Ele é como mim.” (errado)
- “Ele trabalha que nem eu trabalho.” (aceitável, mas redundante)
- “Ele trabalha que nem eu.” (forma simples e correta)
Essas semelhanças ajudam a entender que a regra depende sempre da função do pronome na frase.
A forma correta e mais usada é “igual a mim”. Sempre que a frase terminar no pronome, essa é a escolha certa. Já “igual a eu” só aparece quando vem acompanhada de verbo, como “igual a eu faço”.
Na prática, “igual a mim” domina tanto na fala quanto na escrita, justamente por ser mais natural. Então, se a dúvida bater, use essa forma que não tem erro.

